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Histórias da Biblia com as Crianças do Bairro

A maior parte das crianças angolanas são livres para vaguear durante o dia, especialmente os meninos, pois as meninas têm a responsabilidade de tomar conta dos irmãos mais novos. Durante as férias da escola, eu vi cinco meninos andando sobre andas feitas em casa. Eu convidei-os para o nosso quintal para ler uma história da Bíblia. Um mês mais tarde, ainda estou a ler e cantar para estas caras animadas. Eles trouxeram amigos e outros vieram e saíram. Eu nunca sei quantos vou ter cada dia, mas eu sei que eu posso confiar nos sorrisos do Mano, Nucho, Chico, Podi, e Lano. Eu não sei onde Deus vai levar estas histórias, mas eu oro cada dia para estes meninos e meninas.

As Minhas Amigas no Mercado

O maior parte das minhas interacções com angolanos tem sido no mercado de ar livre e no bairro. Durante os primeiros meses, eu tentei usar o meu tempo no mercado para ter pelo menos contacto com algumas pessoas. Eu devo admitir que quando estava cansado só fiz as minhas compras. Rapidamente eu conheci a Ana, e aos poucos comecei a encontrar outras pessoas – como a Amélia que é uma das poucas vendedoras de fruta no meu mercado. A Ana apresentou-me à Rita um dia quando eu estava a procura de beringela, e a Rita reconheceu-me muitas semanas depois, altura em que começámos a nossa amizade. Mais tarde, eu escolhi comprar tomates á Maria, e ela sempre me dava mais em cada visita, começando no primeiro dia em que eu me apresentei. Na minha segunda visita eu descobri que o português dela é limitada nas frases básicas que ela precisa para o trabalho, mas nós ainda consideramos uma e outra como amigas. Eu estou a começar a aprofundar a nossa amizade, perguntando-lhes mais sobre as vidas delas e partilhando mais da minha. É um grande desafio.

(English) An Arduous Journey Is Worth the Effort

Pedimos desculpa, mas este texto está apenas disponível em Inglês (Eua).

(English) Cross-Cultural Travels, part 2

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(English) Building my RAFT

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(English) Cross-Cultural Travels, part 1

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O Nosso Aprovação Inesperado Esperado

A sexta-feira passada (10 de Junho) foi Dia de Portugal. Ontem, Sábado, foi o Dia de Todos os Santos. Dia em que os portugueses de Lisboa comem sardinhas na rua sem dormir. Todos os anos, a igreja aqui em Lisboa passa este fim-de-semana a fazer uma vigília de oração. Num total de 36 horas, oramos um de cada vez, por turnos, e em conjunto com a igreja toda. (É difícil pensar que já estou aqui a tempo suficiente ao ponto de já ter feito a vigília por duas vezes). Entre os pedidos de oração estávamos a orar para que os vistos para Angola chegassem. Tínhamos a intenção de chegar a Angola em Janeiro mas parecia que nem o governo de Angola nem Deus tinham a mesma vontade que nós, pois tínhamos ficamos em Portugal para melhorar o nosso português, trabalhar com a igreja e preparar para a nossa chegada em Angola.

Ontem a noite fiquei muito cansado depois de um fim-de-semana cheio de oração e com pouco sono. Mas mesmo assim ainda dei por mim na baixa de Lisboa com alguns amigos da igreja. A nossa volta estavam milhares de pessoas. O cheiro da sardinha a grelhar e o som da música de Amália a tocar no rádio invadia as ruas naquela noite. Enquanto eu tirava espinhas da sardinha dos dentes, o meu colega da equipa Roberto telefonou. Ele disse-me que a nossa amiga Júlia do consulado da Angola em Houston tinha telefonado na sexta-feira (durante aquela vigília). Infelizmente, ele não estava em casa no momento do telefonema. Estava com a família no Algarve e por isso não recebeu a mensagem. Ao regressarem a casa receberam, então, a tal notícia. Ela disse que todos os vistos estavam prontos, excepto o do Roberto que deveria estar pronto nas próximas semanas.

Fiquei sem palavras, depois de receber aquelas notícias. Fique em estado de choque e ainda tenho o cheiro de sardinhas na minha roupa (o cheiro dura muito tempo). Já a bué tempo que estou ansioso por ir para Angola, mas houve sempre obstáculos atrás de obstáculos. O tempo parecia nunca passar, mas agora, o tempo está a voar. Já só tenho sessenta dias para ir para Angola com o novo visto. De repente a porta abriu-se e eu não sei nem o que pensar, nem o que sentir. Deus está a começar um novo capítulo na minha vida, e isso é a causa de toda a minha excitação e ansiedade ao mesmo tempo. Significa também que um outro capítulo da minha vida vai acabar. O meu tempo em Portugal foi um dos tempos mais abençoado da minha vida e vou-me sempre lembrar deste tempo que cá passei com carinho. E cada vez que sentir o cheiro de sardinhas, vou pensar em como Deus é fiel e responde as nossas orações.

 

Reflexões Sobre Falar em Público em Português

 

Fico intimidado com o acto de falar em público, embora poucas pessoas saibam isso. Foram muitos anos a virar frangos no meu estilo próprio dos pregadores. Eu lembro-me bem da minha primeira mensagem. Tinha 18 anos e pediram-me para dar uma mensagem curta ao grupo dos jovens da nossa igreja. Tinha uma semana para preparar. Eu escolhi a minha passagem, escrevi os meus pensamentos, e recitei a mensagem em frente dum espelho todos os dias. Quando chegou a hora de eu falar, levantei-me, entrei em pânico, li a minha escritura numa voz baixa e tímida, e consegui dizer uma frase só sobre a minha interpretação do texto, e sentei-me. No momento, não podia lembrar-me de nenhum dos pensamentos que tinha praticado.

Sempre tenho sido atraído pela ideia de pregar e ensinar. Eu gosto de partilhar uma escritura e comentar sobre a aplicação à nossa vida. Mas o acto de pregar e ensinar tem sido sempre outro assunto. No primeiro ano do meu curso da universidade, tinha uma aula sobre falar em público. Eu faltei os dois dias que tinha de falar em frente das colegas e fiquei no meu dormitório a tremer de nervoso. Tive de dar ambas as mensagens um dia mais tarde, e recebi uma nota boa – mas com uma penalidade por as mensagens estarem atrasadas. Dois anos depois, na minha primeira aula de pregar, costumava praticar os meus sermões em frente dos meus colegas do quarto para preparar-me para apresentar na aula. Depois dum destes sermões, eu vi o vídeo com a Teague (estávamos a namorar naquele época) e ela disse, “Estas a mover tanto os braços que pareces um pássaro. Tinha muita energia por estar tão nervoso. No meu ano final do curso, pediram-me para dirigir o louvor na nossa capela em frente de três mil pessoas. Durante a primeira canção, a minha perna direita começou a estremecer tão violentamente que devia parecer que estava a dançar. Eu estava com medo que eles me mandassem sair do púlpito por ter Espírito demais!

Depois de nove anos de ministério, mais do que 50 sermões em frente de audiências entre 15 e 500 pessoas, e centenas de lições bíblicas ensinadas, eu ainda fico um pouco nervoso quando falo em frente das pessoas. A única diferença é que tenho ficado melhor a esconder este nervoso. (Não tremo ou perco a minha voz.) Estou grato pelas pessoas que me encorajaram a continuar no ministério apesar desta dificuldade. Com prática e ajuda de muitos mentores, Deus ajudou-me a ultrapassar este obstáculo. Agora eu gosto de ensinar e pregar, e acho que Deus me tem dado algumas capacidades nesta área.

Uma língua nova introduz uma dinâmica nova no acto de falar em público. Cada um de nós na equipa missionaria se preocupe com a nossa pronúncia, se está a usar as palavras certas ou se as tentativas para sermos engraçados realmente são engraçadas em português. O meu nervosismo de pregar tem-se adaptado a uma forma nova. Já tive mais de vinte oportunidades no ano passado para falar em frente duma audiência portuguesa. Eu combato a minha ansiedade escrevendo, palavra por palavra, exactamente o que quero dizer. E eu leio o manuscrito com a nossa professora de português e mais um amigo português. É uma grande bênção ter uma professora e amigos pacientes.

Com cada apresentação, fico um pouco mais confortável com este novo desafio. Nas minhas primeiras doze mensagens, li directamente da página e raramente olhei para as pessoas. Também falo mais rápido quando estou nervoso. Eu li o meu primeiro sermão – que demorava 13 minutos quando pratiquei – em menos de nove minutos em frente da congregação. Mas ao crescer na língua, tenho usado menos o manuscrito e ficado mais confortável com a paráfrase e a improvisação. Falo mais devagar para enfatizar